O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais estudados no mundo. Mesmo assim, o diagnóstico ainda é cercado por dúvidas, mitos e, muitas vezes, preconceito. Afinal, como diagnosticar o TDAH com segurança?
Neste artigo, você vai entender o passo a passo do diagnóstico, os principais instrumentos utilizados por profissionais da saúde e as diferenças entre o TDAH em crianças, adolescentes e adultos. Se você suspeita que tem TDAH — ou convive com alguém nessa situação — este guia é para você.
O que é o TDAH?
Antes de falarmos sobre o diagnóstico, é fundamental entender o que é o TDAH.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade, que impactam significativamente a vida pessoal, acadêmica, profissional e social do indivíduo.
🧠 Imagem sugerida: ilustração do cérebro com setas indicando atenção, impulsividade e hiperatividade.
Diagnóstico de TDAH: Um Desafio Multidimensional
Diferente de outras condições de saúde, o diagnóstico do TDAH não é feito por um exame de sangue, ressonância magnética ou teste rápido. Ele exige uma avaliação clínica detalhada, realizada por profissionais especializados como:
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Psicólogos
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Psiquiatras
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Neurologistas (em alguns casos)
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Pedagogos (como suporte na escola)
Quais Profissionais Podem Diagnosticar o TDAH?
Embora a maioria dos diagnósticos seja feita por psiquiatras ou psicólogos com formação em avaliação psicológica e neuropsicologia, o processo pode envolver uma equipe multidisciplinar, especialmente em crianças.
👩⚕️ Dica visual: infográfico com os tipos de profissionais envolvidos no diagnóstico do TDAH.
Quais São os Critérios Diagnósticos?
O principal manual utilizado internacionalmente para diagnóstico é o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).
Segundo ele, para o diagnóstico de TDAH, a pessoa precisa apresentar pelo menos:
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6 sintomas de desatenção e/ou 6 de hiperatividade-impulsividade (para crianças até 16 anos)
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5 sintomas (para adolescentes com 17 anos ou mais e adultos)
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Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade.
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Os comportamentos devem persistir por pelo menos 6 meses.
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Os sintomas precisam causar prejuízo significativo em pelo menos dois contextos (ex: escola, trabalho, casa).
Quais São os Sintomas do TDAH?
Subtipo Desatento:
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Distração frequente
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Dificuldade de organização
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Esquecimento de compromissos
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Problemas com foco em tarefas longas
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Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado
Subtipo Hiperativo-Impulsivo:
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Fala em excesso
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Interrompe os outros com frequência
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Inquietação constante (mãos, pés, corpo)
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Dificuldade em esperar a sua vez
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Sensação constante de “estar ligado no 220V”
Subtipo Combinado:
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Quando há sintomas significativos dos dois grupos acima.
📊 Imagem sugerida: tabela com os três tipos de TDAH e sintomas correspondentes.
Etapas do Diagnóstico
1. Entrevista Clínica Estruturada
O profissional coleta o histórico completo da pessoa, incluindo:
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Desenvolvimento infantil
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Vida escolar e acadêmica
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Rotina atual
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Histórico familiar
Instrumentos como o DIVA-5 (para adultos) e o K-SADS (para crianças e adolescentes) são comumente utilizados.
2. Aplicação de Escalas e Inventários
Algumas ferramentas padronizadas auxiliam no diagnóstico:
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SNAP-IV
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ASRS
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CBCL (para crianças)
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BDEFS (executivo)
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Conners
3. Avaliação Neuropsicológica (se necessário)
Pode incluir testes de:
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Atenção
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Memória operacional
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Inibição de resposta
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Planejamento e organização
4. Exclusão de Outras Condições
Muitos quadros psiquiátricos podem se parecer com o TDAH:
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Depressão
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Ansiedade generalizada
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Bipolaridade
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Transtornos do sono
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TEA
⚠️ Por isso, o diagnóstico diferencial é crucial.
TDAH em Adultos: Um Capítulo à Parte
Durante muitos anos, acreditava-se que o TDAH era um transtorno exclusivamente infantil. Hoje sabemos que mais de 60% das crianças com TDAH continuam com sintomas na vida adulta.
Nos adultos, o TDAH se manifesta principalmente com:
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Dificuldade em manter foco prolongado
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Procrastinação crônica
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Problemas com gestão do tempo
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Impulsividade em decisões (inclusive financeiras)
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Esquecimentos e atrasos constantes
📸 Imagem sugerida: adulto tentando focar no trabalho com várias distrações ao redor.
É Possível Diagnosticar o TDAH pela Internet?
Alguns testes online podem ajudar a levantar suspeitas, mas não substituem uma avaliação profissional.
✅ Use-os como triagem.
❌ Não utilize para autodiagnóstico definitivo.
TDAH é Superdiagnosticado?
Essa é uma pergunta polêmica. Em alguns contextos, sim — o diagnóstico é dado sem rigor. Em outros, especialmente em mulheres e adultos, o TDAH é subdiagnosticado, sendo confundido com ansiedade, depressão ou “falta de esforço”.
🎯 Importante: um bom diagnóstico leva em conta a história de vida, padrões comportamentais e o impacto funcional dos sintomas.
O Que Acontece Após o Diagnóstico?
O diagnóstico é apenas o início de um processo de autoconhecimento e intervenção. Com ele, é possível:
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Definir o tratamento mais adequado (psicoterapia, medicação, coaching, etc.)
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Traçar estratégias personalizadas para organização, rotina e foco
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Incluir a família no processo de compreensão e apoio
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Reduzir o sofrimento e os prejuízos que vinham sendo acumulados
Conclusão
Diagnosticar o TDAH é um processo que exige conhecimento técnico, sensibilidade clínica e escuta qualificada. Não se trata de “rotular” alguém, mas de compreender profundamente seu funcionamento para oferecer caminhos de cuidado mais eficazes.
Se você suspeita que tem TDAH ou conhece alguém nessa condição, busque ajuda profissional qualificada. O diagnóstico é um passo importante rumo à autonomia, à funcionalidade e a uma vida com mais qualidade.
Se você deseja passar por uma avaliação para TDAH, entre em contato com um profissional capacitado.
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Referências
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American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5ª ed., Texto Revisado – DSM-5-TR).
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Barkley, R. A. (2015). Attention-deficit hyperactivity disorder: A handbook for diagnosis and treatment. Guilford Press.
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Kooij, J. J. S. et al. (2010). DIVA 2.0 Diagnostic Interview for ADHD in adults.
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World Health Organization. (2021). ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics.